"Eu vou sempre me lavar chorando..."

"Que dor máxima foi que experimentaste?
Se o beber te é amargo,faz-te vinho.
A ampla noite desmedida sê
Mágica força na cruz dos sentidos;
Do seu estranho encontro sê sentido.
E se o mundo se esqueceu de ti, vê
Se à Terra muda e calma dizes:- Corro.
E diz à água rápida: - Não morro."
Um amigo mandou-me o soneto de Rilke de que retirei estes versos. Sempre este amigo, apesar do longe, me presenteou com a beleza das palavras que brilharam no silêncio dos entardeceres ou no negrume das noites mais agrestes ou dos luares mais belos.
Ao sabor amável da sua doçura, acrescentei eu sempre também, um humor salvífico (nem sei bem de quê... talvez guarda de comoção, defesa de lágrimas, exorcismo de mágoas....) e, quando ontem li esta sua mensagem, me lembrei logo de "Rilke Shake" de Angélica de Freitas.
Fui ao blog dela e dei com a foto de Giuletta Massino ( quem não a recorda nos filmes de Fellini?) com a legenda que postei no título.
Paradoxais, ambivalentes, pluripluviais, palhaços que nós somos!